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De Marconi a Nakamoto

“O Telégrafo já estava bem estabelecido havia meio século, mas exigia um fio para transportar a mensagem entre o emissor e receptor. O sistema de […]

De Marconi a Nakamoto

“O Telégrafo já estava bem estabelecido havia meio século, mas exigia um fio para transportar a mensagem entre o emissor e receptor. O sistema de Marconi tinha a grande vantagem de ser sem fio – o sinal viajava como que por mágica, através do ar.”

Esse relato conta a história da criação do rádio no fim do século 19 e tem como protagonista Guglielmo Marconi, que inventou esse dispositivo “mágico” que permitia a comunicação sem a necessidade de fios.

E, como tudo aquilo que pode disruptar o status quo, atraiu uma parcela de especialistas que achavam maravilhosa a ideia e acreditavam no seu futuro — mas também teve detratores; aqueles que colocavam dúvidas sobre o projeto apelavam para aquilo que parecia ser o óbvio.

Uma onda de rádio se propagaria em linha reta e o fato de a Terra ser redonda impossibilitaria as comunicações além de um horizonte; distâncias acima de 100 km não permitiriam sua utilidade.

Marconi seguiu seus testes e foi fazendo experimentos com comunicações cada vez mais distantes, até acabar com o mito da limitação de 100 km.

Com uma mensagem enviada a mais de 3.500 km, Marconi acabou de vez com a dúvida de que o rádio serviria apenas para comunicações de curta distância.

Se o dispositivo já era mágico por não precisar de fio, o fato de a mensagem conseguir ser entregue a mais de 3.000 km de distância colocava mais misticismo no aparelho.

Foi só apenas algumas décadas mais tardes, no ano de 1924, que os físicos puderam explicar esse fenômeno através da descoberta da ionosfera, que refletia ondas de rádio na Terra e permitia ao rádio funcionar em comunicações de longa distância.

O ciclo de inovação passa por essas fases como uma rima ou até uma repetição perfeita.

No início, existe o status quo, que julga que qualquer coisa além daquilo que se vê é impossível. Então, o impossível acontece.

Na sequência, surgem defensores e detratores daquilo que é disruptivo. E de fato as dúvidas que são levantadas quanto a essa inovação fazem sentido.

Então, melhorias incrementais são realizadas para pôr fim às dúvidas levantadas.

Pronto, um novo status quo está estabelecido.

Com cripto é a mesma coisa: já causou a disrupção e atraiu defensores e detratores. Estes colocam todo tipo de dúvidas sobre a tecnologia; aqueles defendem que o tempo vai saná-las.

Eu também acho que a quantidade de transações dentro de um blockchain é muito pequena perto da de qualquer outro meio de pagamento.

E, ainda assim, cripto oferece uma alternativa ao sistema tradicional de transações, uma vez que não precisa de cartões ou registro de nenhuma forma para transacionar valores entre fronteiras continentais.

No momento atual, o bitcoin funciona como uma alternativa ao sistema tradicional tanto de pagamento quanto de reserva de valor.

E concordo com os detratores neste ponto: uma alternativa que não é extremamente superior, mas, ainda assim, é uma opção. Pelo menos para uma parcela da população desbancarizada, já faz sentido usar criptomoedas.

Indo além, se o problema da velocidade de transação é resolvido, as criptomoedas passariam a ser realmente uma opção extremamente superior, e isso é uma questão apenas de tempo.

Outro ponto a se considerar é que, além do bitcoin, existem outros inúmeros projetos que visam também disruptar o status quo financeiro e estão dando os seus primeiros passos.

As finanças descentralizadas que permitem tomada de empréstimos, negociações de criptoativos e aluguel de ativos, tudo isso sem intermediários, são um exemplo dessa era pré-cambriana das criptomoedas.

Aos poucos o status quo vai ser colocado em xeque, e mais e mais pessoas vão aderindo a esse novo paradigma.

Os millennials já são três vezes mais propensos a investir em cripto do que a geração dos baby bommers e logo serão responsáveis por gerir o dinheiro do mundo.

Por isso, o bitcoin é um ativo que deve responder muito bem a essa mudança de geração no comando das principais instituições mundiais. E, consequentemente, ele pode parafrasear a história do rádio:

“O Banco já estava bem estabelecido havia meio século, mas era o intermediário entre as transações financeiras entre duas partes. O sistema de Satoshi Nakamoto tinha a grande vantagem de não precisar de intermediário — o dinheiro viajava como que por mágica, através da internet.”

Abraços,

André Franco